Não é a corrupção, os verões excessivamente quentes ou a violência que me irrita no Brasil. É a falsa moral das pessoas. Nós somos moralistas demais. Naturalmente, eu não me coloco fora desse grupo (afinal também sou brasileiro) e reconheço minha falta de conhecimento em muitos temas da nossa sociedade.
Desde meus tempos de pré-vestibulando a falsa-moral no Brasil começou a pulular como um dos problemas mais sérios do debate público neste país. OBBBrasil foi a prova material da minha hipótese. O mesmo canal de televisão onde os bons costumes e o bem da família brasileira eram apresentados como valores universais, reproduzia uma versão verde-amarela desse Reality Show escroto onde um apresentador pseudo-intelectual chamava de heróis indivíduos cujo o Q.I. no máximo chega a altura de um poodle bem treinado. “E qual é o problema disso?” perguntariam alguns... Bom, o problema é que quase todo mundo assiste.
Querem um exemplo mais simples que me inspirou? Ver pessoas reclamando da política e o caramba, mas que tomam iogurte em supermercados sem pagar...quem nunca viu?
Vamos parar de reclamar da corrupção! De que adianta ficar boquiaberto com os desvios do dinheiro público e ser um mau exemplo para o seu filho? De que adianta reclamar do político se HONESTAMENTE poucos se lembram em quem votaram?
Num país onde a escolha de candidatos se dá através de critérios publicitários (pois é isso que viraram as campanhas políticas) quem é que está errado? O povo que deixa isso acontecer ou o cara que foi eleito?
Esse rapaz que diz que bebe e dirige não está correto. Agora... cá entre nós, 99,99% das pessoas que bebem na noite e dirigem fazem a mesma coisa! Ele está errado, mas é muito corajoso e traduz em palavras precisas todos os sentimentos e opiniões de quem bebe e dirige “é que o meu carro tem ABS e airbag também”, “aquele cara do Camaro não pagou 220 mil, meu carro é um pouco mais barato de repente a fiança cai o valor”. Genial!!
É foda! Mas o Balzac é foda! No livro “Ilusões Perdidas” ele já alertava:
A sociedade que reprova ou critica sem exame sério os fatos patentes nos quais desembocam demoradas lutas secretas é, assim, a principal cúmplice desses escândalos.
Tem gente dizendo que o cara é um babaca. QUE NADA!! Babaquice foi o que fez ele ficar assim. Ele só está botando para fora.
Nessa idade, nós somos vítimas das campanhas publicitárias que nos enfiam goela a baixo carros, festas, felicidade a qualquer preço. Por acaso a TV nos ensina a pensar nos demais? É essa a prioridade da educação no Brasil? Que nada!
A cobertura dos canais de televisão no Brasil está cada vez mais parecida com a Inquisição misturada com um romance de Edgar Allan Poe. As escolas (principalmente as privadas) estão virando cursinhos preparatórios. Tudo para garantir um (suposto) futuro melhor do INDIVÍDUO e não da sociedade.
Então...vendo tudo isso sabe o que esse Luan fez (intencionalmente ou não): “a é assim que funciona? Então será desse modo que serei, mas honestamente”
Como ele diz: "o importante é a diversão", quem vai contra?
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Um adesivo
Enquanto dirigia, vi um carro com um adesivo colado na traseira.
Nele dizia:
"Não às drogas!
Jesus é a solução!!"
Desde sempre suspeitei que JESUS fosse um alucinógeno!
Nele dizia:
"Não às drogas!
Jesus é a solução!!"
Desde sempre suspeitei que JESUS fosse um alucinógeno!
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
La abuela Ines
No bairro de Peñarol, uma quadra separa você de seu falecido marido.
Quis o destino unir seu leito de morte ao local donde ele nasceu.
(Quanta falta faz o destino na minha vida)
Não aceito que tua vida tenha valido a pena!
Suas palavras precisas eram cheias de rancor mal camuflado,
Nada estava perfeito.
Ao afirmar “yo no quiero molestar”
Seu tom de voz sugeria “a La mierda! Com lo que me queda para vivir!”
Algo se passou... existe uma mácula muito bem escondida que
Infelizmente a sua morte jamais revelará.
Ver-te deitada, economizando opiniões
Buscando no sono a paz interior (sabendo que ainda tem muito o que sofrer) me fez refletir tristemente.
(quem diria que uma pessoa nunca admirada me inspirou a tentar escrever a primeira “espécie de poesia”)
Que qualidade de vida foi a sua?
Que qualidade de morte está sendo?
Meu grande arrependimento ao despedir-me de você foi não haver perguntado
“Abuela, sabes quién soy?”
Leonardo Sosa González
03/11/2011
Quis o destino unir seu leito de morte ao local donde ele nasceu.
(Quanta falta faz o destino na minha vida)
Não aceito que tua vida tenha valido a pena!
Suas palavras precisas eram cheias de rancor mal camuflado,
Nada estava perfeito.
Ao afirmar “yo no quiero molestar”
Seu tom de voz sugeria “a La mierda! Com lo que me queda para vivir!”
Algo se passou... existe uma mácula muito bem escondida que
Infelizmente a sua morte jamais revelará.
Ver-te deitada, economizando opiniões
Buscando no sono a paz interior (sabendo que ainda tem muito o que sofrer) me fez refletir tristemente.
(quem diria que uma pessoa nunca admirada me inspirou a tentar escrever a primeira “espécie de poesia”)
Que qualidade de vida foi a sua?
Que qualidade de morte está sendo?
Meu grande arrependimento ao despedir-me de você foi não haver perguntado
“Abuela, sabes quién soy?”
Leonardo Sosa González
03/11/2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
O espiritismo não me desce
O espiritismo não me desce. Não adianta todos os argumentos pseudocientíficos dos espíritas. Não consigo acreditar! E não vou!!
Por que Freud não é psicografado? E o Einstein? O que ele pensa do desenvolvimento da física quântica? Pô, se esses espíritos podem entrar em contato com nós por que o Karl Marx não deu seu pitaco sobre a queda da União Soviética? E o Ayrton Senna, o que acha do sobrinho dele na F-1?
Não...
A conexão dos espíritas com os seres supremos que podem se comunicar não chega até essas pessoas mundialmente conhecidas. O máximo que eles fazem é entrar em contato com o filho do cunhado do padeiro que foi atropelado por um caminhão. Nada contra, mas para uma religião que se utiliza de argumentos científicos isso é muuuito pouco.
Eu dou risada.
Imagina só uma carta psicografada dizendo o seguinte.
“Mãe,
A coisa aqui tá braba! Um caloooor!!!
Não agüento mais. O patrão vive xingando o pessoal e a guria que está acorrentada ao meu lado não para de chorar. Fica dizendo que não merece isso e aquilo, se fuder...
Vê se não faz merda ‘quenem’ eu. Viu?”
Entendo a busca pela explicação religiosa. Essa extensão forçada da vida. Forçada porque não existe vida após a morte. Mas essa noção drástica sobre o fim da vida é tão triste ( e é mesmo) que a religião acaba sendo aceita.
Mas essa idéia do espiritismo me soa arrogante. É a mesquinharia da religião por dois motivos. Primeiro porque se propõe científica e eu não vejo nenhum método científico nela. Segundo porque não admite que a religião serva para amenizar uma dor mundana e não espiritual.
Porque partituras não são psicografadas? Eu imagino que lá no céu Beethoven não é surdo. Deve ter composto muita coisa boa e melhor, INÉDITAS!!! Porque ninguém aqui psicografa isso tudo?
* * *
Um dia, uma amiga do meu irmão veio para casa começou a falar de espíritos e tal. Imediatamente eu cortei o papo. Falei que não acreditava.
“Mas tu não tem fé?” ela perguntou.
“Eu tenho!” respondi eu.
“Mas tu não acredita em religião?!?!?” ela achou que tinha acabado com a discussão.
“Eu tenho fé na realidade” Acabei a discussão.
Por que Freud não é psicografado? E o Einstein? O que ele pensa do desenvolvimento da física quântica? Pô, se esses espíritos podem entrar em contato com nós por que o Karl Marx não deu seu pitaco sobre a queda da União Soviética? E o Ayrton Senna, o que acha do sobrinho dele na F-1?
Não...
A conexão dos espíritas com os seres supremos que podem se comunicar não chega até essas pessoas mundialmente conhecidas. O máximo que eles fazem é entrar em contato com o filho do cunhado do padeiro que foi atropelado por um caminhão. Nada contra, mas para uma religião que se utiliza de argumentos científicos isso é muuuito pouco.
Eu dou risada.
Imagina só uma carta psicografada dizendo o seguinte.
“Mãe,
A coisa aqui tá braba! Um caloooor!!!
Não agüento mais. O patrão vive xingando o pessoal e a guria que está acorrentada ao meu lado não para de chorar. Fica dizendo que não merece isso e aquilo, se fuder...
Vê se não faz merda ‘quenem’ eu. Viu?”
Entendo a busca pela explicação religiosa. Essa extensão forçada da vida. Forçada porque não existe vida após a morte. Mas essa noção drástica sobre o fim da vida é tão triste ( e é mesmo) que a religião acaba sendo aceita.
Mas essa idéia do espiritismo me soa arrogante. É a mesquinharia da religião por dois motivos. Primeiro porque se propõe científica e eu não vejo nenhum método científico nela. Segundo porque não admite que a religião serva para amenizar uma dor mundana e não espiritual.
Porque partituras não são psicografadas? Eu imagino que lá no céu Beethoven não é surdo. Deve ter composto muita coisa boa e melhor, INÉDITAS!!! Porque ninguém aqui psicografa isso tudo?
* * *
Um dia, uma amiga do meu irmão veio para casa começou a falar de espíritos e tal. Imediatamente eu cortei o papo. Falei que não acreditava.
“Mas tu não tem fé?” ela perguntou.
“Eu tenho!” respondi eu.
“Mas tu não acredita em religião?!?!?” ela achou que tinha acabado com a discussão.
“Eu tenho fé na realidade” Acabei a discussão.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Vai cair o Mundo e eu estou com medo
O que segue não deve ser lido em tom de euforia.
Essa previsão que farei sofre do mesmo mal de qualquer previsão: não é precisa. De qualquer modo, às vezes nós vemos uma coisa que se repete e isso nos faz pensar... Mais uma vez escrevo sobre o curso de história da UFRGS.
Na primeira metade do meu curso, eu fui bastante estudioso, na outra metade também, porém de um modo diferente. No início eu segui a lógica imperante, professor pediu-aluno cumpriu. Já no final estudava com mais folga, ou seja, estudava aquilo que me provocava interesse, exceto em disciplinas onde o professor era bom e os textos propostos também.
No final do curso, além do aspecto anterior, eu comecei a me enjoar de quase tudo lá dentro. Pelo incrível que pareça, alguns alunos me davam náusea.
Existe uma categoria de estudante de história que está nadando na ilusão. São aqueles que nos primeiros semestres sonham em desenvolver uma espécie de erudição oitocentista e ultrapassada. Eu, por exemplo, presenciei esse tipo de gente rindo (as escondidas é lógico) dos estudantes de engenharia e afins. “esses caras são técnicos”, não são “humanos, das ciências humanas”...EU VI!
São justamente essas pessoas que vivem um grande processo de tecnocratização da faculdade de história.
A medida que essas novas “mentes brilhantes” se aprofundam em pesquisas de pouquíssima repercussão (até mesmo dentro do departamento de história da UFRGS) eles se afastam mais e mais da realidade. E o Campus do Vale ajuda muito porque os militares o construíram justamente com esse propósito durante a ditadura.
Então o que acontece? O curso de história, humano por “excelência” cria pessoas que se afastam cada vez mais da sociedade. Isso é sério porque ao invés de se preocupar com a repercussão do historiador na sociedade, essa galera toda está vivendo o sonho do mestrado, do doutorado, escrever artigos, livros sobre os assuntos pouco chamativos. Esse povo aí (e logicamente não são todos os estudantes) está aceitando sem questionar a lógica produtivista que anda comendo solta nas universidades.
Essa lógica faz deles “técnicos em passado”.
Cada vez mais, eles entram de cabeça em discussões teóricas e metodológicas exageradas e tomam a compreensão desse debate como um exemplo de sua erudição. Esse orgulho é o que cega essa galera toda.
Existem vários fatores que explicam isso.
Um é a época em que vivemos. Um período de crise da esquerda.
Outro é o mercado de trabalho que exige cada vez mais títulos como um método para eliminar a concorrência dentro dele.
Agora,sabe o que me preocupa?
Como vai ficar a próxima geração de estudantes secundaristas quando essas pessoas com pouquíssima fundamentação crítica (sobre a realidade) forem seus professores?
Será que uma pessoa que desde o 3º semestre estuda o mesmo assunto será capaz de abordar todos os temas que a disciplina de história exige com qualidade numa sala de aula?
Sou pessimista no curto prazo....admito.
Depois que o mundo desse povo todo cair, a coisa vai.
Essa previsão que farei sofre do mesmo mal de qualquer previsão: não é precisa. De qualquer modo, às vezes nós vemos uma coisa que se repete e isso nos faz pensar... Mais uma vez escrevo sobre o curso de história da UFRGS.
Na primeira metade do meu curso, eu fui bastante estudioso, na outra metade também, porém de um modo diferente. No início eu segui a lógica imperante, professor pediu-aluno cumpriu. Já no final estudava com mais folga, ou seja, estudava aquilo que me provocava interesse, exceto em disciplinas onde o professor era bom e os textos propostos também.
No final do curso, além do aspecto anterior, eu comecei a me enjoar de quase tudo lá dentro. Pelo incrível que pareça, alguns alunos me davam náusea.
Existe uma categoria de estudante de história que está nadando na ilusão. São aqueles que nos primeiros semestres sonham em desenvolver uma espécie de erudição oitocentista e ultrapassada. Eu, por exemplo, presenciei esse tipo de gente rindo (as escondidas é lógico) dos estudantes de engenharia e afins. “esses caras são técnicos”, não são “humanos, das ciências humanas”...EU VI!
São justamente essas pessoas que vivem um grande processo de tecnocratização da faculdade de história.
A medida que essas novas “mentes brilhantes” se aprofundam em pesquisas de pouquíssima repercussão (até mesmo dentro do departamento de história da UFRGS) eles se afastam mais e mais da realidade. E o Campus do Vale ajuda muito porque os militares o construíram justamente com esse propósito durante a ditadura.
Então o que acontece? O curso de história, humano por “excelência” cria pessoas que se afastam cada vez mais da sociedade. Isso é sério porque ao invés de se preocupar com a repercussão do historiador na sociedade, essa galera toda está vivendo o sonho do mestrado, do doutorado, escrever artigos, livros sobre os assuntos pouco chamativos. Esse povo aí (e logicamente não são todos os estudantes) está aceitando sem questionar a lógica produtivista que anda comendo solta nas universidades.
Essa lógica faz deles “técnicos em passado”.
Cada vez mais, eles entram de cabeça em discussões teóricas e metodológicas exageradas e tomam a compreensão desse debate como um exemplo de sua erudição. Esse orgulho é o que cega essa galera toda.
Existem vários fatores que explicam isso.
Um é a época em que vivemos. Um período de crise da esquerda.
Outro é o mercado de trabalho que exige cada vez mais títulos como um método para eliminar a concorrência dentro dele.
Agora,sabe o que me preocupa?
Como vai ficar a próxima geração de estudantes secundaristas quando essas pessoas com pouquíssima fundamentação crítica (sobre a realidade) forem seus professores?
Será que uma pessoa que desde o 3º semestre estuda o mesmo assunto será capaz de abordar todos os temas que a disciplina de história exige com qualidade numa sala de aula?
Sou pessimista no curto prazo....admito.
Depois que o mundo desse povo todo cair, a coisa vai.
quarta-feira, 23 de março de 2011
INSIDE Samu
Há dois meses, eu sofri um acidente aéreo do qual prossigo em recuperação até hoje.
EM homenagem a este evento dramático, decidi escrever sobre impressões bizarras de ser um acidentado.
1º Os populares na sua volta podem dizer que a SAMU chega rapidinho, mas para você, acidentado, vai levar uma eternidade.
2º Quando dentro da SAMU, você perceberá que as ambulâncias não fazem revisão de seus amortecedores. O “paciente” vai ali dentro pipocando para tudo que é canto e sentindo na pele a primeira lei de Newton, a Inércia.
3º O HPS nem é tão ruim assim. A partir do momento em que você ingressa nele totalmente imobilizado, como eu, você apenas será capaz de avaliar a condição do teto.
4º Quando você passa à condição de “Internado” tudo que os enfermeiros dizem deve ser considerado em dobro. “Esse remédio vai te dar um pouco de sono”, você despenca. “Esse aqui, tu vai sentir um pouco de calor”, você começa a destilar e por aí vai.
5º Banho? De gato! E esquece... aquela enfermeira gostosa não virá para fazer este serviço. O meu primeiro banho de gato foi dado por um baixinho de bigode que parecia o Super Mario.
6º Dentro do hospital, você venerará somente a um Deus. No caso, uma Deusa, a Morfina! Aaaaah! Deleite, delícia, momento sublime, enfim...
Pois é, esses são os principais tópicos que me vem a mente em forma de dicas para os acidentados.
EM homenagem a este evento dramático, decidi escrever sobre impressões bizarras de ser um acidentado.
1º Os populares na sua volta podem dizer que a SAMU chega rapidinho, mas para você, acidentado, vai levar uma eternidade.
2º Quando dentro da SAMU, você perceberá que as ambulâncias não fazem revisão de seus amortecedores. O “paciente” vai ali dentro pipocando para tudo que é canto e sentindo na pele a primeira lei de Newton, a Inércia.
3º O HPS nem é tão ruim assim. A partir do momento em que você ingressa nele totalmente imobilizado, como eu, você apenas será capaz de avaliar a condição do teto.
4º Quando você passa à condição de “Internado” tudo que os enfermeiros dizem deve ser considerado em dobro. “Esse remédio vai te dar um pouco de sono”, você despenca. “Esse aqui, tu vai sentir um pouco de calor”, você começa a destilar e por aí vai.
5º Banho? De gato! E esquece... aquela enfermeira gostosa não virá para fazer este serviço. O meu primeiro banho de gato foi dado por um baixinho de bigode que parecia o Super Mario.
6º Dentro do hospital, você venerará somente a um Deus. No caso, uma Deusa, a Morfina! Aaaaah! Deleite, delícia, momento sublime, enfim...
Pois é, esses são os principais tópicos que me vem a mente em forma de dicas para os acidentados.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Vida após a morte.
Esses dias, assim do nada eu tive uma idéia nada original. Mas fiquei viajando nela e desenvolvi diálogos e tudo mais. É simples, um pequeno empresário crente morre e vai para o inferno. A história é basicamente um diálogo entre ele e o diabo e começa assim.
Atônito por encontrar-se em um local tão rochoso e pouco iluminado, Horácio não queria acreditar que havia parado no inferno.
- Que ao menos seja o purgatório! Exclamou, Assim terei chance de ver o Senhor e seu Filho depois de muito sacrifício.
-Esquece! Falou uma voz grave que Horácio não foi capaz de reconhecer o autor. A voz continuou. Horácio Teixeira, 49 anos oriundo de Porto Alegre, possui um restaurante denominado de “Buffet” no centro antigo da cidade. Adultera a sua balança em 300 gramas a mais e reutiliza alimentos mesmo depois de passado o prazo.
O Diabo interrompe seu comentário solidariamente.
-Corrija-me se estiver equivocado, por favor.
Horácio com seu orgulho ferido pergunta.
-Mas o que está havendo?
-Calma, o Diabo estende a mão para o crente indicando pausa , Você tem 2 filhos e uma esposa. Um dos filhos trabalha como caixa no seu restaurante e você o obriga a ficar lá, trabalhando enquanto ele poderia estar evoluindo como ser humano. Ao invés disso, você o força a praticar o roubo cotidiano que você aplica nos clientes. O outro é pequeno demais para essas coisas. Sorte tem ele, é jovem demais para entender as tolices que ouve na igreja.
Horácio suando frio, numa atitude vigarista, procura defender-se.
-Mas senhor, eu admito que sou pecador. É por esta razão que vou à igreja, para expiar meus pecados. A carne é fraca senhor, faço aquilo no meu restaurante, pois o mundo é injusto. Sou de origem pobre, venho do interior do estado e...
-E resolveu retribuir com mais injustiça e individualismo!
Horácio calou-se, houve uns segundos de silêncio em que o Diabo, agora próximo do penitente, conhecendo os humanos, esperou que Horácio viesse com mais desculpas.
-Não entendo, disse demonstrando uma legítima desorientação, eu admito meus pecados, reconheço minhas fraquezas, porém, não seria o caso de me levar ao purgatório. Lá teria oportunidade de me livrar dessa terrível pena e demonstrar meu amor a Cristo.
-Não haverá purgatório porque o céu não existe!
-Mas como! Como!?!?! Então o senhor quer dizer que Deus não existe?
-Existe, mas se foi. Disse friamente ao mesmo tempo em que escondia um sorriso fruto de seu orgulho e segundo ele mesmo “pertinência”. Desde que criou a humanidade, ele deu chances a todos vocês, mas chegou um momento em que ele não suportou mais. Pense bem, um ser que pode criar vida e coisas inimagináveis porque haveria de se preocupar com vocês? Vocês deturparam toda a noção saudável de religião. Tomaram Sua palavra para justificar os crimes mais terríveis que se podem encontrar nos registros históricos de seu planeta. Confundiram tudo! Ao invés de se preocupar com a verdadeira vida após a morte, tomaram as rezas e as cerimônias para lavarem suas consciências sujas e cheias de más intenções.
-Como, verdadeira vida após a morte?
-O que vocês chamam de legado, ordinário! Essa é a vida que vale a pena ter após a morte. Permanecer na memória das pessoas como um indivíduo bem intencionado, justo, prestativo e solidário. Mas vocês fizeram o contrário. Botaram o indivíduo no topo de tudo e o lucro como palavra de ordem. Enfim, abandonaram o bom senso e agora VOCÊ e muitos outros pagam por isso.
O Diabo tomou fôlego e continuou.
-Deus me deixou aqui para que vocês se fodam, ele é amor, mas todos sabem que isso não dura para sempre quando não existe reciprocidade. Vocês colam adesivos em carros e janelas com dizeres “eu confio em Deus” e coisas similares MAS ERA JUSTAMENTE O CONTRÁRIO! Para ter a tão desejada vida eterna no paraíso Deus confiou em vocês! Não há vida após a morte. Só o sofrimento!
Já admitindo sua condição de condenado, Horácio perguntou dessa vez com sinceridade e propósitos “legítimos”.
-Mas será possível eu aparecer em sonho ao menos para avisá-los do mal.
-Avisar a quem? Perguntou o Diabo sem que Horácio percebesse que se tratava de uma pegadinha.
-Minha família
AH!! Viu?!?!?! Por acaso Jesus não se sacrificou para pagar os pecados de toda a humanidade? Porque você não faz o mesmo? Vamos!
Horácio estava derrotado.
Atônito por encontrar-se em um local tão rochoso e pouco iluminado, Horácio não queria acreditar que havia parado no inferno.
- Que ao menos seja o purgatório! Exclamou, Assim terei chance de ver o Senhor e seu Filho depois de muito sacrifício.
-Esquece! Falou uma voz grave que Horácio não foi capaz de reconhecer o autor. A voz continuou. Horácio Teixeira, 49 anos oriundo de Porto Alegre, possui um restaurante denominado de “Buffet” no centro antigo da cidade. Adultera a sua balança em 300 gramas a mais e reutiliza alimentos mesmo depois de passado o prazo.
O Diabo interrompe seu comentário solidariamente.
-Corrija-me se estiver equivocado, por favor.
Horácio com seu orgulho ferido pergunta.
-Mas o que está havendo?
-Calma, o Diabo estende a mão para o crente indicando pausa , Você tem 2 filhos e uma esposa. Um dos filhos trabalha como caixa no seu restaurante e você o obriga a ficar lá, trabalhando enquanto ele poderia estar evoluindo como ser humano. Ao invés disso, você o força a praticar o roubo cotidiano que você aplica nos clientes. O outro é pequeno demais para essas coisas. Sorte tem ele, é jovem demais para entender as tolices que ouve na igreja.
Horácio suando frio, numa atitude vigarista, procura defender-se.
-Mas senhor, eu admito que sou pecador. É por esta razão que vou à igreja, para expiar meus pecados. A carne é fraca senhor, faço aquilo no meu restaurante, pois o mundo é injusto. Sou de origem pobre, venho do interior do estado e...
-E resolveu retribuir com mais injustiça e individualismo!
Horácio calou-se, houve uns segundos de silêncio em que o Diabo, agora próximo do penitente, conhecendo os humanos, esperou que Horácio viesse com mais desculpas.
-Não entendo, disse demonstrando uma legítima desorientação, eu admito meus pecados, reconheço minhas fraquezas, porém, não seria o caso de me levar ao purgatório. Lá teria oportunidade de me livrar dessa terrível pena e demonstrar meu amor a Cristo.
-Não haverá purgatório porque o céu não existe!
-Mas como! Como!?!?! Então o senhor quer dizer que Deus não existe?
-Existe, mas se foi. Disse friamente ao mesmo tempo em que escondia um sorriso fruto de seu orgulho e segundo ele mesmo “pertinência”. Desde que criou a humanidade, ele deu chances a todos vocês, mas chegou um momento em que ele não suportou mais. Pense bem, um ser que pode criar vida e coisas inimagináveis porque haveria de se preocupar com vocês? Vocês deturparam toda a noção saudável de religião. Tomaram Sua palavra para justificar os crimes mais terríveis que se podem encontrar nos registros históricos de seu planeta. Confundiram tudo! Ao invés de se preocupar com a verdadeira vida após a morte, tomaram as rezas e as cerimônias para lavarem suas consciências sujas e cheias de más intenções.
-Como, verdadeira vida após a morte?
-O que vocês chamam de legado, ordinário! Essa é a vida que vale a pena ter após a morte. Permanecer na memória das pessoas como um indivíduo bem intencionado, justo, prestativo e solidário. Mas vocês fizeram o contrário. Botaram o indivíduo no topo de tudo e o lucro como palavra de ordem. Enfim, abandonaram o bom senso e agora VOCÊ e muitos outros pagam por isso.
O Diabo tomou fôlego e continuou.
-Deus me deixou aqui para que vocês se fodam, ele é amor, mas todos sabem que isso não dura para sempre quando não existe reciprocidade. Vocês colam adesivos em carros e janelas com dizeres “eu confio em Deus” e coisas similares MAS ERA JUSTAMENTE O CONTRÁRIO! Para ter a tão desejada vida eterna no paraíso Deus confiou em vocês! Não há vida após a morte. Só o sofrimento!
Já admitindo sua condição de condenado, Horácio perguntou dessa vez com sinceridade e propósitos “legítimos”.
-Mas será possível eu aparecer em sonho ao menos para avisá-los do mal.
-Avisar a quem? Perguntou o Diabo sem que Horácio percebesse que se tratava de uma pegadinha.
-Minha família
AH!! Viu?!?!?! Por acaso Jesus não se sacrificou para pagar os pecados de toda a humanidade? Porque você não faz o mesmo? Vamos!
Horácio estava derrotado.
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