quarta-feira, 30 de março de 2011

Vai cair o Mundo e eu estou com medo

O que segue não deve ser lido em tom de euforia.

Essa previsão que farei sofre do mesmo mal de qualquer previsão: não é precisa. De qualquer modo, às vezes nós vemos uma coisa que se repete e isso nos faz pensar... Mais uma vez escrevo sobre o curso de história da UFRGS.

Na primeira metade do meu curso, eu fui bastante estudioso, na outra metade também, porém de um modo diferente. No início eu segui a lógica imperante, professor pediu-aluno cumpriu. Já no final estudava com mais folga, ou seja, estudava aquilo que me provocava interesse, exceto em disciplinas onde o professor era bom e os textos propostos também.

No final do curso, além do aspecto anterior, eu comecei a me enjoar de quase tudo lá dentro. Pelo incrível que pareça, alguns alunos me davam náusea.

Existe uma categoria de estudante de história que está nadando na ilusão. São aqueles que nos primeiros semestres sonham em desenvolver uma espécie de erudição oitocentista e ultrapassada. Eu, por exemplo, presenciei esse tipo de gente rindo (as escondidas é lógico) dos estudantes de engenharia e afins. “esses caras são técnicos”, não são “humanos, das ciências humanas”...EU VI!

São justamente essas pessoas que vivem um grande processo de tecnocratização da faculdade de história.

A medida que essas novas “mentes brilhantes” se aprofundam em pesquisas de pouquíssima repercussão (até mesmo dentro do departamento de história da UFRGS) eles se afastam mais e mais da realidade. E o Campus do Vale ajuda muito porque os militares o construíram justamente com esse propósito durante a ditadura.

Então o que acontece? O curso de história, humano por “excelência” cria pessoas que se afastam cada vez mais da sociedade. Isso é sério porque ao invés de se preocupar com a repercussão do historiador na sociedade, essa galera toda está vivendo o sonho do mestrado, do doutorado, escrever artigos, livros sobre os assuntos pouco chamativos. Esse povo aí (e logicamente não são todos os estudantes) está aceitando sem questionar a lógica produtivista que anda comendo solta nas universidades.

Essa lógica faz deles “técnicos em passado”.

Cada vez mais, eles entram de cabeça em discussões teóricas e metodológicas exageradas e tomam a compreensão desse debate como um exemplo de sua erudição. Esse orgulho é o que cega essa galera toda.

Existem vários fatores que explicam isso.

Um é a época em que vivemos. Um período de crise da esquerda.
Outro é o mercado de trabalho que exige cada vez mais títulos como um método para eliminar a concorrência dentro dele.

Agora,sabe o que me preocupa?

Como vai ficar a próxima geração de estudantes secundaristas quando essas pessoas com pouquíssima fundamentação crítica (sobre a realidade) forem seus professores?

Será que uma pessoa que desde o 3º semestre estuda o mesmo assunto será capaz de abordar todos os temas que a disciplina de história exige com qualidade numa sala de aula?


Sou pessimista no curto prazo....admito.
Depois que o mundo desse povo todo cair, a coisa vai.

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