quinta-feira, 3 de novembro de 2011

La abuela Ines

No bairro de Peñarol, uma quadra separa você de seu falecido marido.
Quis o destino unir seu leito de morte ao local donde ele nasceu.


(Quanta falta faz o destino na minha vida)


Não aceito que tua vida tenha valido a pena!
Suas palavras precisas eram cheias de rancor mal camuflado,
Nada estava perfeito.
Ao afirmar “yo no quiero molestar”
Seu tom de voz sugeria “a La mierda! Com lo que me queda para vivir!”


Algo se passou... existe uma mácula muito bem escondida que
Infelizmente a sua morte jamais revelará.


Ver-te deitada, economizando opiniões
Buscando no sono a paz interior (sabendo que ainda tem muito o que sofrer) me fez refletir tristemente.


(quem diria que uma pessoa nunca admirada me inspirou a tentar escrever a primeira “espécie de poesia”)


Que qualidade de vida foi a sua?
Que qualidade de morte está sendo?
Meu grande arrependimento ao despedir-me de você foi não haver perguntado
“Abuela, sabes quién soy?”


Leonardo Sosa González
03/11/2011

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