Na sala de aula, muita pouca coisa chama sua atenção. Uma que outra colega bonita, a professora de história que é "guria" e bem gostosinha. Nada mais.
Os assuntos ali trabalhados não fazem nenhum sentido para ele. Aquela obrigação de acordar cedo e ir à escola depois de um café da manhã miserável só faz os dias ficarem mais enfadonhos.
"Hoje eu não almocei. Não! pera aí, eu tomei um refri"
Esse jovem de 14 é divertido, irônico. Consegue fazer piada da vida, o que já é, na minha opinião, uma grande demonstração de inteligência e crítica. Faz letra de funk espontaneamente ironizando tudo o que vê.
Mas isso não é valorizado na sala de aula. Tampouco o é no mercado de trabalho...
Portanto, ao mesmo tempo em que vê seu talento desvalorizado pela estrutura educativa e seus agentes este jovem se volta para outro segmento de seu cotidiano.
Radioso e iluminado, seus olhos se inundam de luz e interesse quando vê outros jovens de 17 anos, com tacos de baseball na mão e um 38 escondido em algum lugar da cintura. Ele estuda, da janela de sua sala de aula, todo os movimentos destes outros jovens. Caminhando pela rua, cheios de uma falsa sensação de triunfo na vida (muito curta por sinal).
Fiscal do tráfico.
Esse é o nome bonito da profissão que chama sua atenção. Ali ele não precisa ir à escola, é bem remunerado, brilha no baile, é respeitado e ainda por cima, depois de um tempo anda armado.
No seu universo, essas são as espectativas de carreira profissional. Não o faz por maldade, vagabundagem ou "porque é negro"...Não... É o que tem. São as possibilidades que lhe são oferecidas neste canto de Porto Alegre onde a vida é embrutecida pelo estado de direito torcido.
Não se pode acusar essa gente toda de violenta, elas na verdade só respondem à violência que foi colocada diante do seus olhos desde jovem.
Escolas más estruturadas e sucateadas é violência.
Posto de saúde pequeno e com poucos funcionários é violência.
Desigualdade social é violência.
Esse guri, só está fazendo o que lhe é possível para sobreviver.
Só isso.
terça-feira, 22 de junho de 2010
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Desabafo
É uma grande estupidês acreditar que um ato de revolta isolado, com poucas possibilidades de repercussão, vá abalar àqueles que já estão confortavelmente colocados. Mas as vezes, estes eventos são exemplos de que algo não vai bem.
Meu tcc que o diga: uma bosta. Deliberadamente uma bosta. Elaborado mentalmente em 2008 para ser uma bosta. Posto em prática durante 2009, apresentado no final do mesmo ano recebendo o conceito B de Bosta.
O que era para ser a cereja no topo do bolo de uma graduação muito boa (basta ver as notas, já que se importam tanto com isso) foi o oposto. O que deveria ser um trampolin para a ejaculação precosse do mestrado (como é encarado atualmente), resultou num lastro.
Mas foi uma bosta por falta de vontade ou por desconforto?
(Vontade eu tenho, quem me conhece sabe a pilha que eu sou)
Deveria ter feito uma coisa boa mesmo...faço a auto-crítica. Porém não poderia cair na ilusão que muitos caem.
O historiador não está vacinado contra o mesmo mal sofrido por um operário de fábrica especializado em realizar somente uma função ao longo da linha de montagem. Os "tempos modernos" de Chaplin invadiram nossa área. A lógica de mercado começa a transpirar por todos os poros dos novos bixos. Bixos no primeiro semestre, bolsistas colaboradores no segundo, a partir do quarto já começam a pesquisar o tema que os seguirá até o doutorado se Deus quiser...
Não os culpo por isso, afinal, todos sabemos que é preciso, atulamente, possuir títulos para conseguir um bom emprego.
O que não consigo engolir é o silêncio a respeito disso.
E o que mais me revolta é o silêncio vindo por parte de alguns professores. Tudo vai bem para alguns e para outros finalmente se foi a época em que os alunos questionavam o que eles diziam.
A consequência disso já se vê: os estudantes, pelo menos da minha geração de graduação, vem deixando de ser críticos da vida e focando-se unicamente na crítica às fontes históricas e a historiografia.
(A LDB diz que uma das funções da educação é desenvolver a capacidade de crítica do estudante. Um ser que pense por conta própria, um quadro social conhecedor de seu meio.)
Entra na sala de aula, abre o caderno e copia o máximo que for possível. Não que seja um crime copiar, desde que seja seguido de uma reflexão daquilo que o professor disse e não uma decoreba.
Admito, estou pessimista NA CURTA DURAÇÃO!!!!!!!!!!!!!!!
Sou otimista, mas acho que vamos viver alguns aninhos de marasmo. Depois a coisa muda!
Meu tcc que o diga: uma bosta. Deliberadamente uma bosta. Elaborado mentalmente em 2008 para ser uma bosta. Posto em prática durante 2009, apresentado no final do mesmo ano recebendo o conceito B de Bosta.
O que era para ser a cereja no topo do bolo de uma graduação muito boa (basta ver as notas, já que se importam tanto com isso) foi o oposto. O que deveria ser um trampolin para a ejaculação precosse do mestrado (como é encarado atualmente), resultou num lastro.
Mas foi uma bosta por falta de vontade ou por desconforto?
(Vontade eu tenho, quem me conhece sabe a pilha que eu sou)
Deveria ter feito uma coisa boa mesmo...faço a auto-crítica. Porém não poderia cair na ilusão que muitos caem.
O historiador não está vacinado contra o mesmo mal sofrido por um operário de fábrica especializado em realizar somente uma função ao longo da linha de montagem. Os "tempos modernos" de Chaplin invadiram nossa área. A lógica de mercado começa a transpirar por todos os poros dos novos bixos. Bixos no primeiro semestre, bolsistas colaboradores no segundo, a partir do quarto já começam a pesquisar o tema que os seguirá até o doutorado se Deus quiser...
Não os culpo por isso, afinal, todos sabemos que é preciso, atulamente, possuir títulos para conseguir um bom emprego.
O que não consigo engolir é o silêncio a respeito disso.
E o que mais me revolta é o silêncio vindo por parte de alguns professores. Tudo vai bem para alguns e para outros finalmente se foi a época em que os alunos questionavam o que eles diziam.
A consequência disso já se vê: os estudantes, pelo menos da minha geração de graduação, vem deixando de ser críticos da vida e focando-se unicamente na crítica às fontes históricas e a historiografia.
(A LDB diz que uma das funções da educação é desenvolver a capacidade de crítica do estudante. Um ser que pense por conta própria, um quadro social conhecedor de seu meio.)
Entra na sala de aula, abre o caderno e copia o máximo que for possível. Não que seja um crime copiar, desde que seja seguido de uma reflexão daquilo que o professor disse e não uma decoreba.
Admito, estou pessimista NA CURTA DURAÇÃO!!!!!!!!!!!!!!!
Sou otimista, mas acho que vamos viver alguns aninhos de marasmo. Depois a coisa muda!
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Pirei!!!(parte 2)
Lá se foi o jovem Marx ler o xerox que seu companheiro lhe havia passado.
Lia a cópia com imensa curiosidade. Sentia-se preso à obra até chegar à parte em que Julia (personagem principal de "A mulher de Trinta") desconta toda sua raiva no romance dizendo:
-"Será que a família existe, senhor? Nego a família numa sociedade que, à morte do pai ou da mãe, partilha os bens e diz a cada um para cuidar de si. A família é uma associação temporária e fortuita que a morte prontamente dissolve. Nossas leis destruíram as casas, as heranças, a perenidade dos exemplos e tradições. Só vejo escombros ao meu redor"
Após ler este diálogo entre Júlia e o padre o jovem Marx pára, lê mais uma vez, reflete e sentencia: - Tudo que é sólido, desmancha no ar!!!!
- A la pucha!!!! Engels tinha razão a respeito deste tal de Balzac! Vou agora mesmo falar com ele...
COntinua...
Lia a cópia com imensa curiosidade. Sentia-se preso à obra até chegar à parte em que Julia (personagem principal de "A mulher de Trinta") desconta toda sua raiva no romance dizendo:
-"Será que a família existe, senhor? Nego a família numa sociedade que, à morte do pai ou da mãe, partilha os bens e diz a cada um para cuidar de si. A família é uma associação temporária e fortuita que a morte prontamente dissolve. Nossas leis destruíram as casas, as heranças, a perenidade dos exemplos e tradições. Só vejo escombros ao meu redor"
Após ler este diálogo entre Júlia e o padre o jovem Marx pára, lê mais uma vez, reflete e sentencia: - Tudo que é sólido, desmancha no ar!!!!
- A la pucha!!!! Engels tinha razão a respeito deste tal de Balzac! Vou agora mesmo falar com ele...
COntinua...
terça-feira, 1 de junho de 2010
Pirei!!! (parte 1)
O seguinte texto (e suas partes) é fruto baseado de minha reflexão. Contudo, usei fontes primárias o tempo todo. A utilização das fontes foi realçada pelo o que há de mais primoroso na espécie humana, e que por si só, pode ser classificado como FONTE PRIMORDIAL ( ou seja, acima das primárias): a imaginação fértil.
No final da década de 1840 dois jovens repletos de indignação encontram-se para redigir um texto que, não sabiam eles, mudaria a história política do mundo. Este texto, ou melhor manifesto, é adorado até hoje por 50% da população mundial (segundo minhas estimativas duvidosas) por se tratar de um Manifesto comunista. O texto é odiado pela outra medade da população pela mesma razão...
Os seus redatores, Karl Marx e F. Engels (não sei escrever frederico em alemão) estavam reunidos em Bruxelas quando Engels, começa um rico dialogo (que mudou o mundo, pelo menos o meu) com seu camarada:
-Tchê!
-Que foi? retruca Marx
-Já leu Balzac?
-Nã, ouvi dizer que é escritor...
-Puta merda, e que escritor!!!! Além de bom, acho que é dos nossos se pá.
-Bom, isso aí é coisa tua, eu não tive o prazer de ser apresentado, argumentou o cuidadoso ex-jovem hegeliano de esquerda.
-Tchê, ele escreveu a 4 anos atrás um livro sobre as mulheres de trinta muito interessante.
- Porque de 30?
-Porque...ele gosta dessas aí. Se não gostasse faria sobre as guria de 15...
-Bueno, e que más.
- Bom, ele diz umas coisas sobre como a família da sociedade burguesa foi se dissolvendo e coisa e tal que podemos usar de argumentação no nosso futuro manifesto. Alerta Engels.
-Então faz o seguinte, disse Marx acendendo um charuto, me trás um xerox do livro que eu te dou um toque semana que vem.
-Feitoria então, disse Engels
-Abraço pros mano e beijo prás guria, retrucou Marx.
Continua......
No final da década de 1840 dois jovens repletos de indignação encontram-se para redigir um texto que, não sabiam eles, mudaria a história política do mundo. Este texto, ou melhor manifesto, é adorado até hoje por 50% da população mundial (segundo minhas estimativas duvidosas) por se tratar de um Manifesto comunista. O texto é odiado pela outra medade da população pela mesma razão...
Os seus redatores, Karl Marx e F. Engels (não sei escrever frederico em alemão) estavam reunidos em Bruxelas quando Engels, começa um rico dialogo (que mudou o mundo, pelo menos o meu) com seu camarada:
-Tchê!
-Que foi? retruca Marx
-Já leu Balzac?
-Nã, ouvi dizer que é escritor...
-Puta merda, e que escritor!!!! Além de bom, acho que é dos nossos se pá.
-Bom, isso aí é coisa tua, eu não tive o prazer de ser apresentado, argumentou o cuidadoso ex-jovem hegeliano de esquerda.
-Tchê, ele escreveu a 4 anos atrás um livro sobre as mulheres de trinta muito interessante.
- Porque de 30?
-Porque...ele gosta dessas aí. Se não gostasse faria sobre as guria de 15...
-Bueno, e que más.
- Bom, ele diz umas coisas sobre como a família da sociedade burguesa foi se dissolvendo e coisa e tal que podemos usar de argumentação no nosso futuro manifesto. Alerta Engels.
-Então faz o seguinte, disse Marx acendendo um charuto, me trás um xerox do livro que eu te dou um toque semana que vem.
-Feitoria então, disse Engels
-Abraço pros mano e beijo prás guria, retrucou Marx.
Continua......
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Como não dizer nada e parecer importante (Moda, teoria e "Balzac já dizia")
Fim de semana passado, abro o caderno cultural do ZH e me deparo com uma barbaridade.
O texto de uma doutora em literatura e mestre em história que serve de exemplo. Infelizmente, de mau exemplo.
Trata-se do texto titulado "Teoria da moda pra quê?" (ZH, 22 de maio de 2010)
Poupando o tempo de todos vocês, basta dizer que o texto consiste numa enumeração enfadonha (muito na moda) de bibliografia lida pela autora sem chegar precisamente a definir o que é teoria da moda, ou moda propriamente dita.
E ela não define moda por uma simples razão, naturalmente não mencionada: não estudou moda para saber defini-la. Pelo menos, aparenta não ter estudado, fato evidente quando diz que o "Donna fashion, em termos locais, cada vez deixa menos a desejar em relação às semanas internacionais (de fashion business)...." (sic). Ingenuidade? Ignorância? Ou prepotência ?
MODA É NEGÓCIO. A MODA É UMA INDUSTRIA, e como tal deve ser entendida. As grandes empresas do tipo Zara, HMN etc... não estudam somente estética e representações, eles estudam tecnologia, materias primas (e seus locais de produção), mercado de trabalho, finança por se tratar de uma indústria.
PORTANTO, se alguém, no pleno de sua bondade e boas intenções, quiser escrever sobre "Teoria de moda" em primeiro lugar deve colocar os pés no chão e depois partir para a filosofia, porque assim não dá!
Seria interessante estudar a história deste processo. Me refiro a influência do vestir-se e da moda em si. Ver como se deu todo esse desenvolivmento e propagação da industria. ISso não vem de hoje, Balzac em seu romance "A mulher de trinta" já dizia "... e todas invejaram-lhe o corte do vestido, a forma de um copete cujo efeito foi atribuído ao gênio de uma custureira desconhecida, pois as mulheres preferem acreditar na ciência dos vestidos do que na graça e na perfeição daquelas que sabem usá-los."
É aquela velha desculpa "é feio, mas é caro..."
Sem dúvida, moda existe e influencia as pessoas a muito tempo. Mas para teoriza-la, não se pode cair no prepotencia de se parecer inteligente quando na verdade não estamos dizendo nada.
PÉ no chão e compra um blusão!!!
O texto de uma doutora em literatura e mestre em história que serve de exemplo. Infelizmente, de mau exemplo.
Trata-se do texto titulado "Teoria da moda pra quê?" (ZH, 22 de maio de 2010)
Poupando o tempo de todos vocês, basta dizer que o texto consiste numa enumeração enfadonha (muito na moda) de bibliografia lida pela autora sem chegar precisamente a definir o que é teoria da moda, ou moda propriamente dita.
E ela não define moda por uma simples razão, naturalmente não mencionada: não estudou moda para saber defini-la. Pelo menos, aparenta não ter estudado, fato evidente quando diz que o "Donna fashion, em termos locais, cada vez deixa menos a desejar em relação às semanas internacionais (de fashion business)...." (sic). Ingenuidade? Ignorância? Ou prepotência ?
MODA É NEGÓCIO. A MODA É UMA INDUSTRIA, e como tal deve ser entendida. As grandes empresas do tipo Zara, HMN etc... não estudam somente estética e representações, eles estudam tecnologia, materias primas (e seus locais de produção), mercado de trabalho, finança por se tratar de uma indústria.
PORTANTO, se alguém, no pleno de sua bondade e boas intenções, quiser escrever sobre "Teoria de moda" em primeiro lugar deve colocar os pés no chão e depois partir para a filosofia, porque assim não dá!
Seria interessante estudar a história deste processo. Me refiro a influência do vestir-se e da moda em si. Ver como se deu todo esse desenvolivmento e propagação da industria. ISso não vem de hoje, Balzac em seu romance "A mulher de trinta" já dizia "... e todas invejaram-lhe o corte do vestido, a forma de um copete cujo efeito foi atribuído ao gênio de uma custureira desconhecida, pois as mulheres preferem acreditar na ciência dos vestidos do que na graça e na perfeição daquelas que sabem usá-los."
É aquela velha desculpa "é feio, mas é caro..."
Sem dúvida, moda existe e influencia as pessoas a muito tempo. Mas para teoriza-la, não se pode cair no prepotencia de se parecer inteligente quando na verdade não estamos dizendo nada.
PÉ no chão e compra um blusão!!!
sábado, 3 de abril de 2010
O código de Hamurabi e a lógica da vingança hoje em dia.
Criado no reino babilônico de Hamurabi (1792-1750 AC) o código jurídico que leva o nome deste governante talvez seja um dos remanescentes históricos mais famosos do mundo. Sua fama é atribuida ao fato de ser este o código jurídico mais acabado da antiguidade oritental e também o mais velho que restou (em boas condições). Ele é o código mais antigo que sobreviveu, mas Hamurabi não foi o inventor dos códigos jurídicos como se pensa. Na realidade, ele simplesmente seguiu a tradição de seu tempo que consistia em herdar "um código de conduta" que serviria de exemplo para seu sucessor.
Além disso, vale ressaltar um ponto a respeito do código: de modo geral, no resto da Mesopotâmia, o direito consuetudinário continuou influenciando no modo como se administravas as cidades estado da região.
O aspecto mais ressaltado do Código de Hamurabi é a "Lei de Talião" (olho por olho, dente por dente). Porém, esta tradição é muito anterior ao rei babilônico, pois é uma tradição oriunda dos povos semíticos.
É preciso ter muito cuidado ao falar deste aspecto do código, pois pode levar o professor a transmitir uma mensagem provocando nos estudantes uma coonfusão entre o significado de justiça com vingança.
O problema em confundir estes dois conceitos reside na relação que ambos possuem com o modo como nós, seres humanos, nos relacionamos para resolvermos nossos problemas. A justiça possui uma noção de reeducação voltada ao próposito de evitar que um determinado problema da sociedade volte a ocorrer. A justiça também deveria estar associada a idéia de fomentar uma sociedade justa, garantindo dignidade para todos seus habitantes. A vingança, por sua vez, pode estar ligada a um sentimento legítimo de justiça, porém não resolve nada, como também pode nos levar a uma situação de violência gratuita desmedida ( briga de "bondes", torcidas de futebol, repressão policial aos manifestantes,etc...).
Depois desta consideraçãocabe a pergunta: então, Hamurabi procurou fazer justiça ou vingança através de seu código?
Nenhum nem outro.
O "código" foi criado após a unificação e apaziguamento de uma região que vivia 300 anos de guerras internas. Hamurabi não procurou através de suas leis fazer vingança pura e cega daquelas pessoas que "cometiam erros". A prova disso é que seu código de condutas possuia atenuantes (conceito fundamental do direito moderno) que podiam diminuira punição como até mesmo anular o crime. Por exemplo, o adultério, tema tão polêmico e punido com severidade ao longo de diversos povos na História, era perdoado caso a mulher sofresse maus tratos de seu marido.
* * *
A vingança é a lógica da resposta fácil, da solução que não é solução, que não vem de uma reflexão profunda. Ela não nos permite estabelecer quais são as verdadeiras causas dos males que nos acossam. O conceito de justiça e vingança podem parecer complexos para se trabalhar em sala de aula, contudo, o código de Hamurabi pode servir de ferramenta para o professor de História estimular ainda mais seus alunos à reflexão.
domingo, 21 de março de 2010
Para começo de história.
Como é possível o cérebro de uma pessoa se voltar contra ela mesma? Principalmente, quando se trata de uma pessoa serena, repleta de boas intenções e, acima de tudo, curiosa em relação a tudo aquilo que aprende? Duvido muito que exista "no cidadão comum" e "de bem" tanta compaixão e sentimento genuíno de preocupação com o próximo como existe nessa pessoa!
Justo ele, incapaz de machucar uma borboleta, foi traído pela sua fantástica e jovem imaginação...Que tipo de pressão se deu? Quantas vezes ele não se sentiu dentro de um buraco bem frio enquanto sofria de angustias escondidas de todos? Falta de amigos dizem...é bem provável.
Às vezes, nós fazemos julgamentos equivocados daquilo que nos rodeia e de nós mesmos em relação ao meio. E me parece que esse foi o caso deste brilhante guri. Auto-crítica em excesso sem um ombro para chorar é assustador.
Talvez seja grotesco iniciar um blog desta maneira. Talvez, seja mais grotesco ainda utilizar-se de um caso tão triste para falar de História. Contudo, acredito que este caso é interessante para trabalhar com a História de um modo un tanto diferente.
Para ensinar História basta relacioná-la à vida real. É importante associar exemplos da vida ao assunto abordado, caso contrário, estudar História não passará de uma retórica vazia.
Esse guri que eu descrevi acima é um caso muito interessante para estudar o ponto de partida de toda a História. A Humanidade.
Ao contrário de todos os seres que habitame já habitaram este planeta não nos distinguimos somente pelo andar bípede ou pela posição de nossos polegares. Somos diferentes porque estabelecemos relações complexas com os demais seres de nossa espécie. Vivemos em sociedade e dependemos absolutamente dela para sobreviver.
O modo como nos relacionamos com as pessoas desde o início da manhã até a hora de dormir reflete essa dependência que temos uns dos outros, pois sem a vida em comunidade não somos capazes de sobreviver. A Humanidade é o cume do desenvolvimento humano. Ela é o que nos diferencia dos demaiss seres vivos.
A Humanidade é onde o homem encontra seus problemas, mas é dentro dela que ele deve resolve-los.
Ilhar-se é o que de pior pode ocorrer com aquele que vê defeitos no mundo. (tenho a impressão de ter achado a resposta para a pergunta que inicia o texto...)
Fico triste por utilizar-me deste trágico exemplo. Mas fica aí a primeira dica: História é sinônimo de vida humana em complexa sociedade ao longo do tempo.
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