Fim de semana passado, abro o caderno cultural do ZH e me deparo com uma barbaridade.
O texto de uma doutora em literatura e mestre em história que serve de exemplo. Infelizmente, de mau exemplo.
Trata-se do texto titulado "Teoria da moda pra quê?" (ZH, 22 de maio de 2010)
Poupando o tempo de todos vocês, basta dizer que o texto consiste numa enumeração enfadonha (muito na moda) de bibliografia lida pela autora sem chegar precisamente a definir o que é teoria da moda, ou moda propriamente dita.
E ela não define moda por uma simples razão, naturalmente não mencionada: não estudou moda para saber defini-la. Pelo menos, aparenta não ter estudado, fato evidente quando diz que o "Donna fashion, em termos locais, cada vez deixa menos a desejar em relação às semanas internacionais (de fashion business)...." (sic). Ingenuidade? Ignorância? Ou prepotência ?
MODA É NEGÓCIO. A MODA É UMA INDUSTRIA, e como tal deve ser entendida. As grandes empresas do tipo Zara, HMN etc... não estudam somente estética e representações, eles estudam tecnologia, materias primas (e seus locais de produção), mercado de trabalho, finança por se tratar de uma indústria.
PORTANTO, se alguém, no pleno de sua bondade e boas intenções, quiser escrever sobre "Teoria de moda" em primeiro lugar deve colocar os pés no chão e depois partir para a filosofia, porque assim não dá!
Seria interessante estudar a história deste processo. Me refiro a influência do vestir-se e da moda em si. Ver como se deu todo esse desenvolivmento e propagação da industria. ISso não vem de hoje, Balzac em seu romance "A mulher de trinta" já dizia "... e todas invejaram-lhe o corte do vestido, a forma de um copete cujo efeito foi atribuído ao gênio de uma custureira desconhecida, pois as mulheres preferem acreditar na ciência dos vestidos do que na graça e na perfeição daquelas que sabem usá-los."
É aquela velha desculpa "é feio, mas é caro..."
Sem dúvida, moda existe e influencia as pessoas a muito tempo. Mas para teoriza-la, não se pode cair no prepotencia de se parecer inteligente quando na verdade não estamos dizendo nada.
PÉ no chão e compra um blusão!!!
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