terça-feira, 22 de junho de 2010

Talento de sobra.

Na sala de aula, muita pouca coisa chama sua atenção. Uma que outra colega bonita, a professora de história que é "guria" e bem gostosinha. Nada mais.
Os assuntos ali trabalhados não fazem nenhum sentido para ele. Aquela obrigação de acordar cedo e ir à escola depois de um café da manhã miserável só faz os dias ficarem mais enfadonhos.

"Hoje eu não almocei. Não! pera aí, eu tomei um refri"

Esse jovem de 14 é divertido, irônico. Consegue fazer piada da vida, o que já é, na minha opinião, uma grande demonstração de inteligência e crítica. Faz letra de funk espontaneamente ironizando tudo o que vê.

Mas isso não é valorizado na sala de aula. Tampouco o é no mercado de trabalho...

Portanto, ao mesmo tempo em que vê seu talento desvalorizado pela estrutura educativa e seus agentes este jovem se volta para outro segmento de seu cotidiano.

Radioso e iluminado, seus olhos se inundam de luz e interesse quando vê outros jovens de 17 anos, com tacos de baseball na mão e um 38 escondido em algum lugar da cintura. Ele estuda, da janela de sua sala de aula, todo os movimentos destes outros jovens. Caminhando pela rua, cheios de uma falsa sensação de triunfo na vida (muito curta por sinal).


Fiscal do tráfico.

Esse é o nome bonito da profissão que chama sua atenção. Ali ele não precisa ir à escola, é bem remunerado, brilha no baile, é respeitado e ainda por cima, depois de um tempo anda armado.

No seu universo, essas são as espectativas de carreira profissional. Não o faz por maldade, vagabundagem ou "porque é negro"...Não... É o que tem. São as possibilidades que lhe são oferecidas neste canto de Porto Alegre onde a vida é embrutecida pelo estado de direito torcido.

Não se pode acusar essa gente toda de violenta, elas na verdade só respondem à violência que foi colocada diante do seus olhos desde jovem.

Escolas más estruturadas e sucateadas é violência.
Posto de saúde pequeno e com poucos funcionários é violência.
Desigualdade social é violência.

Esse guri, só está fazendo o que lhe é possível para sobreviver.
Só isso.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Desabafo

É uma grande estupidês acreditar que um ato de revolta isolado, com poucas possibilidades de repercussão, vá abalar àqueles que já estão confortavelmente colocados. Mas as vezes, estes eventos são exemplos de que algo não vai bem.

Meu tcc que o diga: uma bosta. Deliberadamente uma bosta. Elaborado mentalmente em 2008 para ser uma bosta. Posto em prática durante 2009, apresentado no final do mesmo ano recebendo o conceito B de Bosta.

O que era para ser a cereja no topo do bolo de uma graduação muito boa (basta ver as notas, já que se importam tanto com isso) foi o oposto. O que deveria ser um trampolin para a ejaculação precosse do mestrado (como é encarado atualmente), resultou num lastro.

Mas foi uma bosta por falta de vontade ou por desconforto?

(Vontade eu tenho, quem me conhece sabe a pilha que eu sou)


Deveria ter feito uma coisa boa mesmo...faço a auto-crítica. Porém não poderia cair na ilusão que muitos caem.

O historiador não está vacinado contra o mesmo mal sofrido por um operário de fábrica especializado em realizar somente uma função ao longo da linha de montagem. Os "tempos modernos" de Chaplin invadiram nossa área. A lógica de mercado começa a transpirar por todos os poros dos novos bixos. Bixos no primeiro semestre, bolsistas colaboradores no segundo, a partir do quarto já começam a pesquisar o tema que os seguirá até o doutorado se Deus quiser...
Não os culpo por isso, afinal, todos sabemos que é preciso, atulamente, possuir títulos para conseguir um bom emprego.


O que não consigo engolir é o silêncio a respeito disso.


E o que mais me revolta é o silêncio vindo por parte de alguns professores. Tudo vai bem para alguns e para outros finalmente se foi a época em que os alunos questionavam o que eles diziam.

A consequência disso já se vê: os estudantes, pelo menos da minha geração de graduação, vem deixando de ser críticos da vida e focando-se unicamente na crítica às fontes históricas e a historiografia.

(A LDB diz que uma das funções da educação é desenvolver a capacidade de crítica do estudante. Um ser que pense por conta própria, um quadro social conhecedor de seu meio.)

Entra na sala de aula, abre o caderno e copia o máximo que for possível. Não que seja um crime copiar, desde que seja seguido de uma reflexão daquilo que o professor disse e não uma decoreba.





Admito, estou pessimista NA CURTA DURAÇÃO!!!!!!!!!!!!!!!
Sou otimista, mas acho que vamos viver alguns aninhos de marasmo. Depois a coisa muda!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Pirei!!!(parte 2)

Lá se foi o jovem Marx ler o xerox que seu companheiro lhe havia passado.
Lia a cópia com imensa curiosidade. Sentia-se preso à obra até chegar à parte em que Julia (personagem principal de "A mulher de Trinta") desconta toda sua raiva no romance dizendo:
-"Será que a família existe, senhor? Nego a família numa sociedade que, à morte do pai ou da mãe, partilha os bens e diz a cada um para cuidar de si. A família é uma associação temporária e fortuita que a morte prontamente dissolve. Nossas leis destruíram as casas, as heranças, a perenidade dos exemplos e tradições. Só vejo escombros ao meu redor"


Após ler este diálogo entre Júlia e o padre o jovem Marx pára, lê mais uma vez, reflete e sentencia: - Tudo que é sólido, desmancha no ar!!!!
- A la pucha!!!! Engels tinha razão a respeito deste tal de Balzac! Vou agora mesmo falar com ele...


COntinua...

terça-feira, 1 de junho de 2010

Pirei!!! (parte 1)

O seguinte texto (e suas partes) é fruto baseado de minha reflexão. Contudo, usei fontes primárias o tempo todo. A utilização das fontes foi realçada pelo o que há de mais primoroso na espécie humana, e que por si só, pode ser classificado como FONTE PRIMORDIAL ( ou seja, acima das primárias): a imaginação fértil.



No final da década de 1840 dois jovens repletos de indignação encontram-se para redigir um texto que, não sabiam eles, mudaria a história política do mundo. Este texto, ou melhor manifesto, é adorado até hoje por 50% da população mundial (segundo minhas estimativas duvidosas) por se tratar de um Manifesto comunista. O texto é odiado pela outra medade da população pela mesma razão...

Os seus redatores, Karl Marx e F. Engels (não sei escrever frederico em alemão) estavam reunidos em Bruxelas quando Engels, começa um rico dialogo (que mudou o mundo, pelo menos o meu) com seu camarada:
-Tchê!
-Que foi? retruca Marx
-Já leu Balzac?
-Nã, ouvi dizer que é escritor...
-Puta merda, e que escritor!!!! Além de bom, acho que é dos nossos se pá.
-Bom, isso aí é coisa tua, eu não tive o prazer de ser apresentado, argumentou o cuidadoso ex-jovem hegeliano de esquerda.
-Tchê, ele escreveu a 4 anos atrás um livro sobre as mulheres de trinta muito interessante.
- Porque de 30?
-Porque...ele gosta dessas aí. Se não gostasse faria sobre as guria de 15...
-Bueno, e que más.
- Bom, ele diz umas coisas sobre como a família da sociedade burguesa foi se dissolvendo e coisa e tal que podemos usar de argumentação no nosso futuro manifesto. Alerta Engels.
-Então faz o seguinte, disse Marx acendendo um charuto, me trás um xerox do livro que eu te dou um toque semana que vem.
-Feitoria então, disse Engels
-Abraço pros mano e beijo prás guria, retrucou Marx.

Continua......