Logo após de passar a faixa presidencial para o então estreante Luis Inácio Lula da Silva, o
ex-presidente FHC pega um avião rumo à Europa.
Férias? Pode até ser, mas quando
o vi lá pensei “ele não veio à Portugal
de graça. Ele veio conhecer o filho dele com a jornalista Miriam Dutra da rede
globo!”. Por pura coincidência fiquei ao seu lado enquanto esperava as bagagens
do nosso vôo da Varig. Naturalmente, não o tinha visto antes pois viajei na
classe econômica e ele em alguma classe bem acima da minha. Daquelas onde no
café da manhã a Varig costumava servir omeletes feitas na hora em pleno vôo!!
Me veio um sei lá o que!
Nojo! Raiva!!
Pensei rapidamente. Não queria
escândalos, não é do meu tipo, mas ele precisava ouvir. Então, aproveitei a
demora acima da média que as bagagens levam
até chegar e, em voz baixa, puxei a conversa.
-Presidente. Perdão FHC.
- Pois é, toda pessoa merece
férias (responde com sorriso mais para demonstrar simpatia que vontade).
Minha ira era tanta que fui
direto, sem rodeios.
-Você acredita no papel que as
pessoas têm na história?
-Claro! Todos têm, a de alguns é
mais evidente, a de outros é anônima. Todo contexto social tem seus atores.
Todo. (eu havia esquecido que ele era sociólogo)
-Sim, evidente...mas...você não
teme ser lembrado negativamente? (pergunto)
-Honestamente, agora isso pouco
importa. Minha missão acredito eu, foi bem cumprida.
Segurei minha vontade de lhe
estraçalhar a cara e respondi no mesmo tom de voz baixinho.
-Isso é verdade. Nunca um
presidente foi tão assertivo como o senhor. Mas se eu fosse você, senhor, eu me
preocuparia bastante, pois nunca na história do Brasil se viu algo tão
mesquinho e hipócrita! O senhor foi o maior vende-pátria desse país! Construiu
sua carreira política financiado pela Ford Foundation, braço da CIA na guerra
fria cultural. Você foi base do governo Sarney quando era senador. Você
entregou mais empresas públicas que qualquer um, só perde para a extração do
Pau Brasil. Mas isso não é o pior.
Veja...
-Olha menino (me disse) dessa
ladainha toda eu já estou cheio e conheço todo o seu discurso.
-Então só me deixe concluir com
uma lamentável conclusão que tiro da vida e, consequentemente, da sua também: é
uma pena eu ser ateu. É, se eu acredita-se em deus e vida após a morte estaria
tudo ótimo, pois eu teria certeza que o senhor teria uma fornalha reservada no
inferno para sofrer pelo resto dos dias. Mas infelizmente eu não acredito nisso
tudo. E a conclusão que chego é que depois que você morrer, e eu espero que
sofra bastante, só restará o seu pó. E
infelizmente só isso é muito pouco!! Filho da puta!

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