sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Minha conversa com FHC


Logo após de passar a faixa presidencial para o então  estreante Luis Inácio Lula da Silva, o ex-presidente FHC pega um avião rumo à Europa.
 

Férias? Pode até ser, mas quando o vi lá pensei  “ele não veio à Portugal de graça. Ele veio conhecer o filho dele com a jornalista Miriam Dutra da rede globo!”. Por pura coincidência fiquei ao seu lado enquanto esperava as bagagens do nosso vôo da Varig. Naturalmente, não o tinha visto antes pois viajei na classe econômica e ele em alguma classe bem acima da minha. Daquelas onde no café da manhã a Varig costumava servir omeletes feitas na hora em pleno vôo!!
 

Me veio um sei lá o que!

Nojo! Raiva!!


Pensei rapidamente. Não queria escândalos, não é do meu tipo, mas ele precisava ouvir. Então, aproveitei a demora  acima da média que as bagagens levam até chegar e, em voz baixa, puxei a conversa.


-Presidente. Perdão FHC.


- Pois é, toda pessoa merece férias (responde com sorriso mais para demonstrar simpatia que vontade).


Minha ira era tanta que fui direto, sem rodeios.


-Você acredita no papel que as pessoas têm na história?


-Claro! Todos têm, a de alguns é mais evidente, a de outros é anônima. Todo contexto social tem seus atores. Todo. (eu havia esquecido que ele era sociólogo)


-Sim, evidente...mas...você não teme ser lembrado negativamente? (pergunto)


-Honestamente, agora isso pouco importa. Minha missão acredito eu, foi bem cumprida.


Segurei minha vontade de lhe estraçalhar a cara e respondi no mesmo tom de voz baixinho.


-Isso é verdade. Nunca um presidente foi tão assertivo como o senhor. Mas se eu fosse você, senhor, eu me preocuparia bastante, pois nunca na história do Brasil se viu algo tão mesquinho e hipócrita! O senhor foi o maior vende-pátria desse país! Construiu sua carreira política financiado pela Ford Foundation, braço da CIA na guerra fria cultural. Você foi base do governo Sarney quando era senador. Você entregou mais empresas públicas que qualquer um, só perde para a extração do Pau Brasil.  Mas isso não é o pior. Veja...


-Olha menino (me disse) dessa ladainha toda eu já estou cheio e conheço todo o seu discurso.


-Então só me deixe concluir com uma lamentável conclusão que tiro da vida e, consequentemente, da sua também: é uma pena eu ser ateu. É, se eu acredita-se em deus e vida após a morte estaria tudo ótimo, pois eu teria certeza que o senhor teria uma fornalha reservada no inferno para sofrer pelo resto dos dias. Mas infelizmente eu não acredito nisso tudo. E a conclusão que chego é que depois que você morrer, e eu espero que sofra bastante,  só restará o seu pó. E infelizmente só isso é muito pouco!! Filho da puta!