Cansei de investir em
fragmentos. Me fez crescer em todos os sentidos, incluindo os negativos. Fui
narcisista algoz como vítima dele. Fiquei possuído pela infrutífera busca de
sentido que “tal pessoa” ou “tal fato” necessariamente poderiam me transmitir. Como
consequência aprendi muito, mas pouco pude confiar nos demais.
Raramente disse o que
sentia necessidade ou aquilo que gostaria de dizer. Quando ocorreu (talvez por
erros de cálculos meus) dei com os burros n’água. Desse modo, foi plantada a
semente da dúvida em tudo que combina relacionamentos e mundo virtual
.
Esse mundo virtual está
aí para aprofundar e aguçar o nosso individualismo. Todas e todos com os quais
nos “relacionamos” terminam abandonados ou jogados para trás pois não são “bem aquilo
que eu procuro, afinal, eu sei que consigo coisa melhor”. Esses aplicativos de relacionamento
nos oferecem um mercado de possíveis interações onde a mercadoria somos nós
pessoas. O pior é que aceitamos este papel (basta ver os perfis de todas as
pessoas, incluindo os nossos).
Se antes do surgimento
destes aplicativos não acreditávamos em tudo o que víamos e estabelecer laços
de confiança já era difícil, imaginem agora por trás de uma tela, sem a
presença física de outra pessoa. Perdeu-se toda a garantia de veracidade
daquilo que os demais dizem.
Uma vez vi na internet em um vídeo um africano comentar a respeito das temperaturas gélidas da Noruega o
seguinte: “para mim, aquele frio todo é pior que a pobreza”.
Bom, para mim essa
pegação toda não é melhor que conhecer bem as pessoas e investir nelas como um
todo, como qualidades e defeitos, mas nunca mais em fragmentos sem contexto.
