segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

SOLIDARIEDADE EM TEMPOS MODERNOS


 


Nunca me senti  tão mal com essa tal de sociedade. Descobri que através de gestos singelos ou comentários supostamente irônicos o mundo vem jogando para debaixo do tapete um dos elementos que o diferencia dos demais animais: a cooperação desapegada dos benefícios materiais ou  como alguns chamam, a solidariedade.

 

Na Europa é muito comum frequentar restaurantes ou cafeterias com letreiros e cartazes informando que a cada euro a mais pago pela refeição o cliente, supostamente, está combatendo a fome na África. A adesão dos cidadãos do primeiro mundo a essas campanhas aparentemente nos transmite uma noção de ideais elevados daqueles povos, porém, esconde por trás o desinteresse de todos em resolver seriamente o problema que eles geraram a centenas de anos atrás. Aquele euro a mais pelo “petit noir” serve para que o mesmo cidadão possa dormir tranquilo dizendo para si mesmo que fez a sua parte e que nada mais lhe compete.

 

No Brasil a coisa tem outra cara. Aqui nos comportamos de acordo com o dizer “tirar o seu da reta”. Viramos especialistas em “tirar o meu da reta”. Um acidente de carro? Chama o SAMU e “tira o teu da reta”. Incidente de avião? Deixa o cara decolar, se der merda foi decisão dele e tu “tirou o teu da reta”. Meus funcionários não podem vir trabalhar por causa da greve dos ônibus? Que se virem!! Vou descontar as faltas porque não tenho nada a ver com isso e “tiro o meu da reta”.  

 

O mundo pequeno-burguês está construindo uma nova corrente universal de “foda-se para tudo”.

 

Talvez as coisas mudem, mas não sei ainda quando. 2014 promete um ano de muitos protestos pelo Brasil e isso é alentador. No entanto, o fato dos protestos serem liderados em parte por anarquistas não me trás bons prognósticos. Porque? Pois como disse Lenin “o anarquista é um pequeno-burguês de cabeça para baixo”.  

 

Oxalá as coisas tomem uma direção interessante e alentadora.