domingo, 8 de julho de 2012

A "sociedade do espetáculo" e o facebook


Ontem a noite voltava de um encontro com ex-colegas de faculdade e decidi pedir um hambúrguer para garantir a janta da noite. Enquanto esperava pela refeição olhava para uma fogueira (de verdade) e comecei a me perguntar por que não se fez até hoje um trabalho (ao menos que eu saiba) analisando o Facebook sob o ponto de vista histórico/social/filosófico.

Em seguida, ciente que não estou em condição de realizar nenhum estudo profundo a respeito de nada me dei conta que seria possível iniciar o debate sobre o tema fazendo o seguinte truque: pegar trechos do livro “A sociedade do espetáculo” de Guy Debord e trocar a palavra “ESPETÁCULO” pelo termo “FACEBOOK”.

Àqueles que ainda não leram este livro, não tentem recolocar a palavra “espetáculo” nos trechos a onde ela foi substituída, pois o conceito do termo usado pelo autor é um pouco profundo e nem um pouco “auto-evidente”.



A seguir os resultados.





- O facebook apresenta-se ao mesmo tempo como a própria sociedade, como parte da sociedade e como instrumento de unificação. Como parte da sociedade, ele é expressamente o setor que concentra todo o olhar e toda a consciência. Pelo  fato de este setor estar separado, ele é o lugar do olhar iludido e da falsa consciência; a unificação que realiza é tão-somente a linguagem oficial da separação generalizada.



-O facebook não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediadas por imagens.



-Não é possível fazer uma oposição abstrata entre o facebook e a atividade social efetiva: esse desdobramento também é desdobrado. O facebook que inverte o real é efetivamente um produto. Ao mesmo tempo, a realidade vivida é materialmente invadida pela contemplação do facebook (...) a realidade surge no facebook, e o facebook é real. Essa alienação recíproca é a essência e a base da sociedade existente.



-Considerando (...) o facebook é a afirmação da aparência e a afirmação de toda a vida humana(...) como simples aparência. Mas a crítica que atinge a verdade do facebook o descobre como a negação visível da vida; como negação da vida que se tornou visível.



- O facebook se apresenta como uma enorme positividade indiscutível e inacessível. Não diz nada além de “o que aparece é bom, o que é bom aparece”. A atitude que por princípio ele exige é a da aceitação passiva que, de fato, já obteve por seu modo de aparecer sem réplica, por seu monopólio da aparência.



-No facebook (...) o fim não é nada, o desenrolar é tudo. O facebook não deseja chegar a nada que não seja ele mesmo.



- O facebook domina os homens vivos quando a economia já os dominou completamente

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- A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social acarretou  (...) uma evidente degradação do ser para o ter. A fase atual, em que a vida social esta tomada pelos resultados acumulados da economia, leva ao deslizamento generalizado do ter pelo parecer (...).



-O facebook é o herdeiro de toda a fraqueza do projeto filosófico ocidental (...).



- A origem do facebook é a perda da unidade do mundo, e a expansão gigantesca do facebook (...) revela a totalidade dessa perda. (...) O facebook nada mais é que a linguagem comum dessa separação. (...) O facebook reúne o separado, mas o reúne como separado.



-(...) a dominação da sociedade por “coisas supra-sensíveis embora sensíveis” se realiza completamente no facebook, no qual o mundo sensível é substituído por uma seleção de imagens que existe acima dele, e que ao mesmo tempo se fez reconhecer como o sensível por excelência.



-O facebook é o momento em que a mercadoria ocupou totalmente a vida social. Não apenas a relação com a mercadoria é visível, mas não se consegue ver nada além dela: o mundo que se vê é o seu mundo.



-O facebook é uma permanente Guerra do Ópio para fazer com que se aceite identificar bens e mercadorias; e que a satisfação com a sobrevivência aumente de acordo com as leis do próprio facebook.



-O facebook, como organização social da paralisia da história e da memória, do abandono da história que se erige sobre a base do tempo histórico, é a falsa consciência do tempo.



 -A função do facebook é fazer esquecer a história na cultura(...).



-O facebook é a ideologia por excelência, porque expõe e manifesta em sua plenitude a essência de todo sistema ideológico: o empobrecimento, a sujeição e a negação da vida real. O facebook é, materialmente, “a expressão da separação e do afastamento entre o homem e o homem”.